Crème Brûlée

Não comecem já a apontar o dedo, o título é mesmo assim. A verdadeira crème brûlée é cozinhada no forno, em banho maria e tende a ficar um bocadinho mais sólida do que esta versão microondas. Por isso, para evitar ofender os franceses que gostam de tudo comme il faut, resolvi dar um nome diferente a esta versão rápida. Daí chamar-se crèmbrûlée.

A crème brûlée original é prima do nosso leite creme ou da crema catalana dos nuestros hermanos. A diferença principal é que em França se usam natas espessas em vez de leite engrossado com farinha maizena. Só posso estar de acordo. Vive la France!

Crème Brûlée

A crèmbrûlée subiu rapidamente ao top das minhas favoritas, porque tenho um fraquinho por receitas fáceis e rápidas, com poucos ingredientes e porções pequenas. Especialmente se forem tão ricas como esta. Lá porque nos apeteceu fazer batota e quebrar a dieta por um dia, não quer dizer que seja boa ideia ficar com o frigorífico cheio de tacinhas tentadoras, e ficar uma semana inteira a prevaricar, só porque não se pode desperdiçar comida. Nem todos temos famílias numerosas. Por outro lado, estas duas porções são generosas, pelo que se podem dividir em sobremesas mais pequenas e fazer render, juntando alguma fruta fresca para acompanhar – framboesas são a combinação perfeita.

Crème Brûlée

No entanto, tenho de deixar aqui um aviso: é uma receita muito fácil de fazer, mas também é muito fácil de estragar. Uns segundos a mais no microondas e pode talhar, perdendo a maravilhosa textura aveludada que a caracteriza. O segredo é tomarmos muita atenção e nunca deixarmos ferver. Reduzir a potência do microondas, se for muito forte, e cozinhar em pequenos períodos de 10 a 15 segundos de cada vez, até termos uma consistência cremosa. Não queremos um creme muito espesso, porque acaba por ganhar firmeza no frigorífico. Aqui, a ambição é o que estraga tudo.

Se não tivermos pressa, e não quisermos arriscar, podemos também fazê-lo numa pequena caçarola, sobre um lume muito baixo, mexendo sempre. É a versão segura, e deste modo dá para dobrar ou triplicar a receita, caso seja necessário.

Crème Brûlée

Pode ser imediatamente, mas gosto mais se estiver bem geladinha, para contrastar com o açúcar. É questão a fazer com antecedência. O açúcar, esse, tem de ser queimado na altura de servir. O importante é deixar aquela camada bem estaladiça e, para isso acontecer, não podemos ser forretas na quantidade açúcar mascavado que colocamos em cima de cada taça.

Crème Brûlée

Crème Brûlée

Crèmbrûlée para dois

  • 200ml natas espessas (35% M. G.)
  • 3 gemas
  • 1 c. sopa de açúcar
  • 1/2 vagem de baunilha ou 1/2 c. cafe de pasta de baunilha
  • 2 c. sopa de açúcar mascavado, para queimar

Numa taça própria para microondas (que não aqueça muito) juntar as gemas com o açúcar e bater bem. Adicionar as natas.

Caso se escolha usar a meia vagem de baunilha, cortá-la ao meio com uma faca afiada e raspar as sementes para dentro do preparado. Caso se prefira a pasta de baunilha, é só juntar. Misturar tudo muito bem.

Reduzir a potência do microondas — caso seja possível — e aquecer o preparado em pequenos períodos de tempo, batendo bem nos intervalos. (No meu caso, a sequência foi 30 + 30 + 15 + 10 + 10… , num total de 2 minutos, mas como depende da potência, é preciso tomar muita atenção e nunca deixar ferver.)

Retirar assim que a consistência passe de líquida a creme, já que bastam uns segundos a mais para talhar a mistura (se talhar, pode comer-se na mesma… a textura não é tão boa, mas o sabor está todo lá)

Deitar de imediato em duas taças ou ramequins e deixar arrefecer. Levar ao frigorífico por algumas horas (ou não).

Na altura de servir, espalhar uma colher de sopa de açúcar mascavado pela superfície do creme e queimar com um maçarico (muito cuidado com os salpicos) ou com um ferro em brasa. Alternativamente, colocar por baixo do grill de um forno (as taças têm de ser próprias para ir ao forno, neste caso).

Crème Brûlée

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