Galette

A família dos tubérculos: destinadas a crescer debaixo da terra, a mãe natureza não se prendeu muito com questões estéticas ao criar a batata, a cenoura, a pastinaca, a batata doce e a beterraba. Estas meninas são feiosas, é um facto.

Root Vegetables

Mas têm bom coração, e isso é o mais importante. Para as tornar mais bonitas e apetecíveis, estamos cá nós.

Curiosamente, a batata acaba por ser a menos generosa da família, em termos nutrientes e vitaminas. E no entanto, é, de longe, a que mais amor recebe (pelo menos por estas paragens). Dúzias de pratos diferentes e são todos bons — nunca comi uma batata que não gostasse.

Um dos meus preferidos é a galette (Vive la France! , mais uma vez). Rodelas finíssimas de batata em camadas, com muita manteiga, sal e alecrim, compõem um disco que fica cremoso por dentro e estaladiço por fora. Quando se convida o resto da família para a festa, o resultado então é espectacular.  As cores e sabores da cenoura, batata doce, pastinaca e beterraba conseguem mesmo melhorar um prato que já era maravilhoso só por si.

Galette

É um acompanhamento fantástico para carne ou peixe — que bem que vai com um franguinho assado — mas com um bocadinho de imaginação também pode ser um prato principal. É só acrescentar um topping de bolonhesa, por exemplo. Ou queijo de cabra, nozes e um fiozinho de mel, acompanhado por uma salada verde,  se quisermos um prato vegetariano. Podemos até torná-lo vegan, substituindo a manteiga por azeite.

Galette

Galette

Galette


receita

Baba Ganoush

Amigos, aconteceu uma calamidade. Por causa do Baba Ganoush vou ter de provar queijo da serra (blherc!). Fiz uma troca com o meu pai e vou ficar a perder, porque Baba Ganoush é dez mil vezes melhor do que queijo da serra. Acho eu, que não provei (ainda) o dito queijo, pela simples razão de que não me consigo sequer aproximar daquele cheiro insuportável. Mas o meu pai provou o Baba Ganoush, e por isso vou ter de cumprir a minha parte do acordo. Onde é que eu estava com a cabeça?

Baba Ganoush

A razão que me levou a fazer Baba Ganoush pela primeira vez não foi propriamente racional: gostei do nome. Baba Ganoush, parece o cruzamento de um personagem do Star Wars com uma divindade Hindu. Só podia ser delicioso!

Fiquei contente quando descobri que se tratava de um patê de beringela, já que andava há tempos com vontade de explorar este vegetal tão bonito por fora, mas tão desinteressante por dentro. Mas receei que o resultado fosse isso mesmo, desinteressante, já que o aspecto do patê era muito menos espectacular que o nome.

Baba Ganoush

Mas nada disso: é mesmo muito, muito, bom. Parece que, ao cozinharmos a beringela directamente sobre o bico do fogão, esturricando totalmente a pele, ela ganha um maravilhoso sabor fumado. Combinado com a pasta de sésamo, o alho e as especiarias, fica do outro mundo. Consigo comer uma taça inteira num piscar de olhos, o que não faz mal nenhum porque, ainda por cima, é saudável! Oh, Baba Ganoush, I love you!

Baba Ganoush

Como boa filha que sou, tentei convencer o meu pai que Baba Ganoush era a maior maravilha ao cimo da terra mas, por alguma razão, assim que ouviu a palavra “beringela”, recusou-se a acreditar. E foi assim que me saíram as palavras fatais: “Se provares Baba Ganoush, provo o que tu quiseres. Sim, até queijo da Serra.” Nãããããããããooooo! De novo, onde é que eu estava com a cabeça?!

Meses passaram. Tentei adiar o inevitável, mas calhou eu fazer Baba Ganoush para a minha festa de anos. Calhou convidar os meus pais. Calhou o meu pai provar,  e gostar do Baba Ganoush. E calhou não se ter esquecido do nosso acordo. Um dia destes vai por-me um horrendo queijo da serra à frente, e vou ter de tapar o nariz como uma criancinha, e… nem quero pensar. Depois conto.

Por enquanto, fiquem com a minha versão de Baba Ganoush. Se não quiserem provar, azarucho, temos pena. Eu é que não faço mais acordo nenhum!

Baba Ganoush


receita

Sopa de coco e abóbora

Que fique bem claro: para mim, a melhor sopa do mundo é a sopa de cenoura da minha Avó Lena, que prometo partilhar aqui em breve. Faço também questão de deixar registado que as sopas da minha mãe e do meu pai eram – e são – deliciosas. A minha resistência às sopas não tem nada a ver com a qualidade das que comia em pequena, mas sim pelo facto de serem uma obrigatoriedade, uma imposição diária.

Havia uma sopa em particular que era o meu maior pesadelo: a sopa de feijão, a substância mais horrível jamais inventada pela humanidade. Depois de uma ou duas tentativas, os meus pais perceberam que era melhor fugir dela a todo o custo. Já no jardim-escola, onde não havia como evitá-la, era fita garantida. Lembro-me bem de uma vez que fiquei no refeitório bem para além da hora de almoço, lavada em lágrimas, rodeada das auxiliares tiranas que me negavam a liberdade enquanto não acabasse o maldito prato de sopa castanha, já fria. Teria uns quatro ou cinco anos, é das minhas memórias mais antigas.

Só estes traumas parvos explicam que raramente me dedique a fazer sopa cá em casa. Eu sei que é bom, e que faz bem, mas nunca estou para aí virada. E quando estou, acabo sempre por fazer sopas completamente diferentes daquelas que habitaram a minha infância. Como esta.

Abóbora manteiga

Esta sopa pouco convencional começa num pirex, e acaba numa liquidificadora, e nem sequer chega a passar por uma panela. Embora seja uma oportunidade perdida para usar diferentes especiarias, prefiro a simplicidade destes dois sabores que combinam tão bem e brilham sozinhos. Sal, pimenta e um pouco de sumo de limão são tudo o que é necessário.

Abóbora manteiga assada

Abóbora manteiga assada

E, na verdade, são três receitas numa só. Ao sair do forno, a abóbora manteiga está pronta a ser consumida como um belíssimo acompanhamento. Para um toque salgado extra, pode voltar ao forno mais uns minutos, coberta com pedaços de queijo de cabra.

Ou então pode ser esmagada com um garfo, misturada com um pouco de manteiga, e faz um belíssimo puré.

Mas quem gosta de coco tem mesmo de ir até ao fim e provar a sopa. É rica, cremosa e diferente. O que tenho andado a perder!

Sopa de coco e abóbora

Sopa de coco e abóbora


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Stuffed Italian Pepper / Pimento Italiano Recheado

Sempre desconfiei dos pimentos recheados. Se são feitos com arroz ou carne picada, parecem-me sempre demasiado pesados. Demoram uma eternidade no forno para ficarem bem cozinhados, e têm um sabor demasiado intenso se ficarem mal passados.

Como aconteceu eventualmente com quase todos os vegetais (criança esquisita a comer que eu era), passei do zero aos 100, de detestar a adorar estas verdadeiras bombas de vitamina C, em particular num belo churrasco. Quando vivi em Londres, descobri uma variedade que me agradou ainda mais, os pimentos italianos. Pontiagudos como malaguetas gigantes, podem ser verdes ou vermelhos (os meus preferidos), têm um sabor mais suave  e doce, e são menos carnudos.

Italian Pepper / Pimento Italiano

Em Lisboa são difíceis de encontrar, mas sempre que aparecem de surpresa na prateleira de um supermercado, vão parar inevitavelmente ao meu carrinho. Acabam, quase sempre, às fatiazinhas num salteado oriental, ou em pedaços maiores, grelhados, como topping de hamburger ou acompanhamento.

Grilled Italian Pepper / Pimento Italiano Chamuscado

Ontem sabia de antemão que não me ia mexer muito da cadeira. Para não me sentir muito culpada pela falta de tempo para caminhadas ou ginásio, resolvi fazer uma refeição leve para o almoço e rechear um daqueles maravilhosos pimentos italianos que me andavam a piscar o olho de cada vez que abria o frigorífico. Nada de carne picada, nada de arroz ou cuscuz, o dia pedia um prato vegetariano, com poucos hidratos de carbono.

Para ter a certeza de que o pimento não corria o risco de ficar mal passado, dei-lhe um valente apertão directamente na chama do bico do fogão, que deu ao pimento um ligeiro sabor a churrasco como bonus. (Não abusei do esturricado, como se pode ver na fotografia, mas é verdade que não é particularmente saudável. Pode-se sempre saltar este passo, e depois deixá-lo mais tempo no forno, para compensar.)

Vegetarian Stuffed Italian Pepper / Pimento Italiano Recheado Vegetariano


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Amendoinhas / Little Almond Cakes

Esta manhã, enquanto me preparava para fazer o pequeno almoço, decidi que era um bom dia para anotar as quantidades da minha receita preferida – uma tarte/panqueca de amêndoa e maçã que faço sempre a olho. Contrariamente ao habitual, decidi fazer uma versão açucarada, e distraidamente acabei por deitar no preparado muito mais açúcar do que queria. Hesitei um pouco: será que fazia um pequeno almoço bem doce – um dia não são dias – ou era melhor começar de novo? Ganhou a segunda opção, mas para não deitar fora o que já tinha, resolvi improvisar e fazer uns bolinhos para levar para o almoço em casa dos pais.

E não é que ficaram deliciosos? Doces, mas suficiente pequenos para não exagerar. Ora experimentem:

receita

Arroz Doce / Portuguese Rice Pudding

O meu amigo André não queria que publicasse aqui esta receita, não é egoísta? Mas a receita é da minha mãe (que a herdou da minha avó) e se ela não se importa de a partilhar com o mundo, porque não?

Atenção que o André não é o único fã deste Arroz Doce. Este Arro Doce já tem uma legião de fãs tão grande que dava para abrir a sua própria página de Facebook. E é tão fácil que se prepara num instante em caso de emergência. Sim, há emergências que requerem Arroz Doce, acreditem…

Há montanhas de variações de Arroz Doce espalhadas por esse mundo. As receitas portuguesas tendem a divergir sobretudo na adição de gemas no final, enquanto as receitas sul americanas usam sempre leite condensado.

Esta receita da minha mãe é especialmente cremosa e muito doce, não fosse o meu pai o habitual cliente. Fica o aviso, quem não for guloso a sério pode cortar um bocado na quantidade de açúcar.


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