Sopa de coco e abóbora

Que fique bem claro: para mim, a melhor sopa do mundo é a sopa de cenoura da minha Avó Lena, que prometo partilhar aqui em breve. Faço também questão de deixar registado que as sopas da minha mãe e do meu pai eram – e são – deliciosas. A minha resistência às sopas não tem nada a ver com a qualidade das que comia em pequena, mas sim pelo facto de serem uma obrigatoriedade, uma imposição diária.

Havia uma sopa em particular que era o meu maior pesadelo: a sopa de feijão, a substância mais horrível jamais inventada pela humanidade. Depois de uma ou duas tentativas, os meus pais perceberam que era melhor fugir dela a todo o custo. Já no jardim-escola, onde não havia como evitá-la, era fita garantida. Lembro-me bem de uma vez que fiquei no refeitório bem para além da hora de almoço, lavada em lágrimas, rodeada das auxiliares tiranas que me negavam a liberdade enquanto não acabasse o maldito prato de sopa castanha, já fria. Teria uns quatro ou cinco anos, é das minhas memórias mais antigas.

Só estes traumas parvos explicam que raramente me dedique a fazer sopa cá em casa. Eu sei que é bom, e que faz bem, mas nunca estou para aí virada. E quando estou, acabo sempre por fazer sopas completamente diferentes daquelas que habitaram a minha infância. Como esta.

Abóbora manteiga

Esta sopa pouco convencional começa num pirex, e acaba numa liquidificadora, e nem sequer chega a passar por uma panela. Embora seja uma oportunidade perdida para usar diferentes especiarias, prefiro a simplicidade destes dois sabores que combinam tão bem e brilham sozinhos. Sal, pimenta e um pouco de sumo de limão são tudo o que é necessário.

Abóbora manteiga assada

Abóbora manteiga assada

E, na verdade, são três receitas numa só. Ao sair do forno, a abóbora manteiga está pronta a ser consumida como um belíssimo acompanhamento. Para um toque salgado extra, pode voltar ao forno mais uns minutos, coberta com pedaços de queijo de cabra.

Ou então pode ser esmagada com um garfo, misturada com um pouco de manteiga, e faz um belíssimo puré.

Mas quem gosta de coco tem mesmo de ir até ao fim e provar a sopa. É rica, cremosa e diferente. O que tenho andado a perder!

Sopa de coco e abóbora

Sopa de coco e abóbora


receita

Crepes de Côco / Coconut crepes

Estou de volta aos pequenos almoços. Bom, tenho de confessar que isto não é propriamente uma receita para pequeno almoço, é antes uma sobremesa. Que eu comi logo pela manhã. Gulosa.

Crepes de Côco / Coconut crepes

Tropecei nesta receita enquanto explorava Under the walnut tree, de Anna Bergenstrom e Fanny Bergenstrom, um dos maravilhosos livros que mandei vir da Amazon na minha recente shopping spree. Este livro elegante é um tesouro de receitas simples e bem escritas, organizadas à volta de cada um de 16 ingredientes. Já o tenho todo cravejado de post-its para não me esquecer das que quero experimentar. Não tenho hábito de escrever críticas ou classificar os livros de receitas, mas se tivesse que o fazer, este livro recebia uma alta montanha de estrelas.

Under the walnut tree

Como sou viciada em crepes, esta foi inevitavelmente a primeira receita a sair do chapéu. O sabor intenso a coco nestes crepes transforma-os logo em algo de surpreendente. A combinação sugerida com pedaços de manga é perfeita, mas imagino que fiquem bem com morangos ou pêssego, por exemplo. À falta de fruta fresca, uns pingos de sumo de limão ou lima com açúcar também ficam divinais. A única alteração que fiz foi omitir o coco ralado – embirração minha – e reduzir a receita para metade. Ainda assim, rendeu 5 crepes dos grandes. A massa é algo espessa (mesmo sem o coco ralado), e avisam-nos na receita de que os crepes podem sair um pouco mais grossos do que é normal. Como tenho muita prática e um daqueles utensílios em forma de T que ajudam a espalhar a massa, consegui-os bem fininhos e estaladiços. Não faz mal se não saírem exactamente assim, são deliciosos na mesma.

Crepes de Côco / Coconut crepes

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