Galette

A família dos tubérculos: destinadas a crescer debaixo da terra, a mãe natureza não se prendeu muito com questões estéticas ao criar a batata, a cenoura, a pastinaca, a batata doce e a beterraba. Estas meninas são feiosas, é um facto.

Root Vegetables

Mas têm bom coração, e isso é o mais importante. Para as tornar mais bonitas e apetecíveis, estamos cá nós.

Curiosamente, a batata acaba por ser a menos generosa da família, em termos nutrientes e vitaminas. E no entanto, é, de longe, a que mais amor recebe (pelo menos por estas paragens). Dúzias de pratos diferentes e são todos bons — nunca comi uma batata que não gostasse.

Um dos meus preferidos é a galette (Vive la France! , mais uma vez). Rodelas finíssimas de batata em camadas, com muita manteiga, sal e alecrim, compõem um disco que fica cremoso por dentro e estaladiço por fora. Quando se convida o resto da família para a festa, o resultado então é espectacular.  As cores e sabores da cenoura, batata doce, pastinaca e beterraba conseguem mesmo melhorar um prato que já era maravilhoso só por si.

Galette

É um acompanhamento fantástico para carne ou peixe — que bem que vai com um franguinho assado — mas com um bocadinho de imaginação também pode ser um prato principal. É só acrescentar um topping de bolonhesa, por exemplo. Ou queijo de cabra, nozes e um fiozinho de mel, acompanhado por uma salada verde,  se quisermos um prato vegetariano. Podemos até torná-lo vegan, substituindo a manteiga por azeite.

Galette

Galette

Galette


receita

Sopa cor-de-rosa

Sopa?! Outra vez?! E a um Sábado? Não estou doente, prometo. Acontece que me juntei a um grupinho engraçado no Facebook, o “Dia um… na cozinha!” , e o tema deste mês é justamente “Sopas de legumes”.

Hoje a minha sopa é pirosa. Não levem a mal, é mesmo assim. O meu amor ao cor-de-rosa vem da meninice, mas passei toda a adolescência a evitá-lo – não podia admitir que a minha cor preferida era aquela piroseira infantil. Felizmente, o dia chegou em que tive de admitir derrota: eu jamais seria cool. E se me apetecia usar cor-de-rosa, nada me iria impedir. Lá dei as boas vindas a uns All Star rosa bebé, a t-shirts de todos os tons de rosa possíveis, malas cor de rosa e até um maravilhoso impermeável rosa-choque. E hoje, até a sopa é cor-de-rosa!

Para este desafio, fui buscar uma sopa que os meus pais faziam muito quando eu era miúda e dei-lhe uma makeover. A sopa de que falo era um creme de cebola, muito suave, só com batata e cebola. Juntei-lhe um alho francês que tinha no frigorífico e meia beterraba pequenita, para dar cor, mas o sabor ficou muito perto do da sopa original. Naquela altura, teria achado esta a melhor sopa do mundo. Para a tornar ainda mais kitsch, decorei-a com uma flor de fatias de beterraba assada e folhas de salva fritas.

Beterraba

Beterraba

Ao contrário da beringela, a beterraba é um vegetal feioso por fora, mas lindo por dentro. Sem ser cozinhada, tem um sabor muito particular, a terra. Mas é um sabor que se dissipa um pouco quando a beterraba é cozinhada, e o que fica é um fantástico sabor adocicado. Assada às rodelas fininhas no forno, só com um fio de azeite, sal e pimenta, é um petisco fabuloso, e fica mesmo bem com esta sopa. Nada melhor do que algo estaladiço para acompanhar um creme aveludado. As folhas de salva fritas em manteiga também são uma excelente adição crocante, que roubei à cozinha italiana.

Beterraba

Beterraba


receita