Travesseiros

Março passou a correr. Deve ter sido dos meses em que mais horas passei frente ao computador e menos na cozinha. O blogue foi abandonado, pobrezinho, e a receita do mês para o “Dia 1… Na cozinha” ficou mesmo para dia 1. De novo. O tema é Doçaria Regional, e esta receita foi um pedido especial do meu irmão Miguel.

Os travesseiros  de Sintra são daquelas raras comidas que nos fazem percorrer quilómetros apenas para as provar. E quem diz “provar”, diz “devorar a toda a velocidade, acabados de sair do forno, queimar a língua, abrir a boca e soprar, na esperança de que o pedaço de travesseiro arrefeça antes de seguir caminho, dizer uma asneira ou duas, voltar a cometer o mesmo erro e acabar a sacudir todo o açúcar e massa folhada que caiu na camisola”. E a razão de fazermos tantos quilómetros é simples: os travesseiros de Sintra vendidos fora de Sintra nunca são a mesma coisa.

Travesseiros

Por isso o desafio não podia ser maior: numa só tentativa (porque não tinha outra chance para repetir e afinar) e sem receita (já que pela internet fora, as que encontrei não me pareciam correctas) recriar os divinos pasteis que, por sinal, já não como há anos, e passar o exigente controle de qualidade da minha família. Tudo isto a correr, já que não podia abandonar o livro que estou a ilustrar por muito tempo. Confesso, tinha a certeza de que ia falhar.

Não tinha massa folhada de compra e, entre perder tempo a ir ao supermercado ou fazer de raiz, escolhi a segunda opção, e resolvi fazer a minha massa folhada batoteira. Desde que descobri esta maneira de fazer massa folhada, (rough puff) não quero outra coisa. É quase perfeita, muito rápida de fazer e, por ser feita com manteiga, sabe muito melhor do que a massa do supermercado (pelo menos para mim). Quanto ao recheio, do que me consigo lembrar, parece-me uma mistura de ovos moles com amêndoa, por isso improvisei baseada nisso. Todas as receitas que encontrei tinham uma quantidade enorme de canela, e era capaz de jurar que não levam canela nenhuma. Teria ajudado poder provar um dos travesseiros originais mesmo antes de partir nesta aventurazita, mas se não tinha tempo para ir ao supermercado, muito menos tinha para me fazer ao caminho e ir a Sintra.

Descrente que estava na semelhança da minha invenção ao original, pensei chamá-los Travesseiros de Alvalade, em homenagem aqui ao bairro. Mas quando finalmente os provei, ainda quentes como manda a regra, fiquei maravilhada. Podem não ser os verdadeiros travesseiros de Sintra, mas também não estavam tão longe como Alvalade. Seriam talvez uns Travesseiros de Ranholas, ou para ter um nome mais digno, uns Travesseiros de Lourel. De um modo ou outro, estão mesmo, mesmo, lá perto. Não acreditam? Perguntem ao Miguel.

Travesseiros

receita

Amendoinhas / Little Almond Cakes

Esta manhã, enquanto me preparava para fazer o pequeno almoço, decidi que era um bom dia para anotar as quantidades da minha receita preferida – uma tarte/panqueca de amêndoa e maçã que faço sempre a olho. Contrariamente ao habitual, decidi fazer uma versão açucarada, e distraidamente acabei por deitar no preparado muito mais açúcar do que queria. Hesitei um pouco: será que fazia um pequeno almoço bem doce – um dia não são dias – ou era melhor começar de novo? Ganhou a segunda opção, mas para não deitar fora o que já tinha, resolvi improvisar e fazer uns bolinhos para levar para o almoço em casa dos pais.

E não é que ficaram deliciosos? Doces, mas suficiente pequenos para não exagerar. Ora experimentem:

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