Café Patita - o livro

Chega hoje às lojas e é a razão pela qual deixei o blogue sem actualizações durante tanto tempo: o livro de receitas do Café Patita. Não se trata de uma adaptação do blogue — é um livro pensado de raiz, com receitas que não foram previamente publicadas, acompanhadas de textos e fotografias originais e uma boa dose de ilustração.

Café Patita - o livro

O lançamento é na próxima quinta-feira, dia 14 de Novembro, pelas 18h30, no piso 5 do El Corte Inglés, em Lisboa. A apresentação vai estar ao cargo do meu bom amigo Nuno Markl, que contribuiu com algumas palavras muito generosas para o livro, e que vai ser forçado a cozinhar uma receita do livro em frente a todos — a amizade tem destas coisas. Haverá bolos e bebidas do livro para provar. Estão todos convidados.

Convite para o lançamento do "Café Patita"

Encomendar na fnac.pt.

Caracóis de Caramelo / Caramel Snails

Aqui vai uma receita rápida para todos aqueles que não se meteram em dietas assim que soaram as doze badaladas e começou o ano. Ou para os que, ao dia 3, já se deixaram disso. Ou para os que esperam, sabiamente, até ao dia de Reis para começar com as resoluções que envolvam não comer bolos.

A todos os outros: olhem para o lado, por favor. Passem à frente, sigam viagem. Voltem mais tarde, quando acabarem com as dietas. Façam o que fizerem, não me deitem as culpas!

Caracóis de Caramelo / Caramel Snails

Isto nem é bem uma receita. Honestamente, mais valia chamar a isto trabalhos manuais. Só tem dois ingredientes: massa folhada e doce de leite (leite condensado cozido). Sou grande fã de fazer tudo do início, mas a massa folhada e o doce de leite são duas daquelas coisas que exigem muito tempo e paciência, e por isso acabo sempre a comprá-las já feitas. Neste caso, a massa folhada tem de ser rectangular, pelo que é preciso ter cuidado com aquelas que já vêm estendidas em forma redonda.

Caracóis de Caramelo / Caramel Snails
Caracóis de Caramelo / Caramel Snails

Estes caracóis são óptimas guloseimas para um chá com amigas. Também dão uma boa prenda para um amigo guloso, ou uma daquelas tias a quem não sabemos o que oferecer pelo Natal, todas empilhadas e enroladas em papel vegetal. São lindos, deliciosos, e parecem muito mais complicados de fazer do que na realidade são. Sejam para quem forem, são o bluff perfeito.

Caracóis de Caramelo / Caramel Snails
Caracóis de Caramelo / Caramel Snails  


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Crepes de Côco / Coconut crepes

Estou de volta aos pequenos almoços. Bom, tenho de confessar que isto não é propriamente uma receita para pequeno almoço, é antes uma sobremesa. Que eu comi logo pela manhã. Gulosa.

Crepes de Côco / Coconut crepes

Tropecei nesta receita enquanto explorava Under the walnut tree, de Anna Bergenstrom e Fanny Bergenstrom, um dos maravilhosos livros que mandei vir da Amazon na minha recente shopping spree. Este livro elegante é um tesouro de receitas simples e bem escritas, organizadas à volta de cada um de 16 ingredientes. Já o tenho todo cravejado de post-its para não me esquecer das que quero experimentar. Não tenho hábito de escrever críticas ou classificar os livros de receitas, mas se tivesse que o fazer, este livro recebia uma alta montanha de estrelas.

Under the walnut tree

Como sou viciada em crepes, esta foi inevitavelmente a primeira receita a sair do chapéu. O sabor intenso a coco nestes crepes transforma-os logo em algo de surpreendente. A combinação sugerida com pedaços de manga é perfeita, mas imagino que fiquem bem com morangos ou pêssego, por exemplo. À falta de fruta fresca, uns pingos de sumo de limão ou lima com açúcar também ficam divinais. A única alteração que fiz foi omitir o coco ralado – embirração minha – e reduzir a receita para metade. Ainda assim, rendeu 5 crepes dos grandes. A massa é algo espessa (mesmo sem o coco ralado), e avisam-nos na receita de que os crepes podem sair um pouco mais grossos do que é normal. Como tenho muita prática e um daqueles utensílios em forma de T que ajudam a espalhar a massa, consegui-os bem fininhos e estaladiços. Não faz mal se não saírem exactamente assim, são deliciosos na mesma.

Crepes de Côco / Coconut crepes

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Stuffed Italian Pepper / Pimento Italiano Recheado

Sempre desconfiei dos pimentos recheados. Se são feitos com arroz ou carne picada, parecem-me sempre demasiado pesados. Demoram uma eternidade no forno para ficarem bem cozinhados, e têm um sabor demasiado intenso se ficarem mal passados.

Como aconteceu eventualmente com quase todos os vegetais (criança esquisita a comer que eu era), passei do zero aos 100, de detestar a adorar estas verdadeiras bombas de vitamina C, em particular num belo churrasco. Quando vivi em Londres, descobri uma variedade que me agradou ainda mais, os pimentos italianos. Pontiagudos como malaguetas gigantes, podem ser verdes ou vermelhos (os meus preferidos), têm um sabor mais suave  e doce, e são menos carnudos.

Italian Pepper / Pimento Italiano

Em Lisboa são difíceis de encontrar, mas sempre que aparecem de surpresa na prateleira de um supermercado, vão parar inevitavelmente ao meu carrinho. Acabam, quase sempre, às fatiazinhas num salteado oriental, ou em pedaços maiores, grelhados, como topping de hamburger ou acompanhamento.

Grilled Italian Pepper / Pimento Italiano Chamuscado

Ontem sabia de antemão que não me ia mexer muito da cadeira. Para não me sentir muito culpada pela falta de tempo para caminhadas ou ginásio, resolvi fazer uma refeição leve para o almoço e rechear um daqueles maravilhosos pimentos italianos que me andavam a piscar o olho de cada vez que abria o frigorífico. Nada de carne picada, nada de arroz ou cuscuz, o dia pedia um prato vegetariano, com poucos hidratos de carbono.

Para ter a certeza de que o pimento não corria o risco de ficar mal passado, dei-lhe um valente apertão directamente na chama do bico do fogão, que deu ao pimento um ligeiro sabor a churrasco como bonus. (Não abusei do esturricado, como se pode ver na fotografia, mas é verdade que não é particularmente saudável. Pode-se sempre saltar este passo, e depois deixá-lo mais tempo no forno, para compensar.)

Vegetarian Stuffed Italian Pepper / Pimento Italiano Recheado Vegetariano


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Wrapped Asparagus / Espargos Embrulhados

Espargos. Para mim sempre foram aqueles charutos esbranquiçados e sem vida que vinham dentro de um frasco mergulhados em água, e que o meu pai gostava de comer com maionese. Não gostava daquilo nem por nada.

Foi quando vivi em Londres que tomei contacto com uma série de novos sabores e alimentos, nomeadamente, com os espargos verdes, frescos. Mas como sempre os tinha associado aos espargos enfrascados, nunca sequer os tentei provar.

Wrapped Asparagus / Espargos Embrulhados

Wrapped Asparagus / Espargos Embrulhados

Quando os meus amigos Sephil e Josée nos vieram visitar e ficar alguns dias conosco em Hackney, fizemos incontáveis jantaradas e churrascos no nosso pequeno jardim (ai, as saudades que eu tenho daquele jardim!). Um dia, fizeram eles questão de cozinhar para nós. Prepararam-nos um espectacular prato de massas… com espargos verdes. Não tive como recusar, e lá provei, meio desconfiada, os famigerados espargos. E adorei!

Grelhados, no forno, em salteados… os espargos verdes ficam bem de qualquer maneira. Esta receita é particularmente deliciosa, e embora já a tenha comido como prato principal, acho que é mais adequada para entrada. Feita em pedaços menores, funciona lindamente para uma festa, já que podem ser preparados em avanço e depois é só levar ao forno.

Wrapped Asparagus / Espargos Embrulhados


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Pilha de livros de cozinha

Esta história de voltar a escrever sobre comida, e de ter de novo um sítio onde partilhar as minhas receitas, veio acordar violentamente a minha antiga paixão por livros de cozinha, que andava meio sonolenta e completamente sob controlo. A estante voltou a ser desarrumada, com livros a acumularem-se na sala, no atelier e na mesinha de cabeceira. E depois, o inevitável aconteceu.

Os insaciáveis dedos digitaram no teclado a morada fatal: amazon.co.uk . Como num daqueles ataques ao frigorífico que destroem uma dieta em segundos, também esta shopping-spree deitou por terra as minhas promessas de contenção de despesas, e em pouco tempo estava o carrinho cheio com todos os livros que andava a namorar há meses.

O senhor das entregas ficou contente de eu morar apenas num primeiro andar, tal era o peso do caixote, e eu feliz como uma criancinha no Natal, ignorei voluntariamente que isto não era presente nenhum, e ia sair, acompanhado de um doloroso sentimento de culpa, da minha conta bancária. Detalhes.

O dilema agora seria saber por onde começar, mas a resposta veio no formato de uma verdadeira prenda de Natal antecipada. Mais preciosa do que aquela pilha de livros novinhos em folha.

Tratado completo de cozinha de copa de Carlos Bento Maia / Old Portuguese Cookbook

“Tratado Compacto de Cozinha e de Copa”, de Carlos Bento da Maia, era a Biblia das donas de casa. A minha mãe tem o seu exemplar, que pertencia à minha avó Lena, e que eu esperava vir a herdar. Mas a minha prima Ana, que acompanha sempre em primeira fila as minhas experiências culinárias, decidiu oferecer-me esta valiosíssima primeira edição que pertencera ao meu bisavô Zézinho.

Desculpem-me todas as outras pessoas que me vão dar prendas maravilhosas este Natal, mas esta já ganhou o prémio de Melhor Prenda do Ano, ainda a um mês de distância.

Tratado completo de cozinha de copa de Carlos Bento Maia / Old Portuguese Cookbook

Panqueca Dourada de Aveia / Golden Oat Pancakes

Adoro os pequenos-almoços. É a refeição mais criativa do dia. Podemos misturar o doce com o salgado. Ficarmo-nos pelas singelas torradas ou atrevermo-nos a preparar crepes, panquecas e até scones. Beber um simples café com leite ou sumo de laranja ou deliciarmo-nos com um estravagante batido de frutas exóticas. Uma saudável mistura de cereais com leite ou iogurte, ou algo mais anglo-saxónico como ovo, fiambre, bacon, presunto!

Ao contrário de muitos, acordo sempre com o apetite ligado no máximo, e por ter a sorte de trabalhar em casa, troco o tempo que iria gastar em deslocações para o emprego por algum tempo na minha cozinha banhada de luz, a fazer e apreciar calmamente os primeiros petiscos do dia. Mas mesmo quem, durante a semana, não tem outro remédio senão andar na correria e engolir rapidamente qualquer coisa no caminho, se pode dedicar com mais paciência ao pequeno almoço durante o fim de semana.

Panqueca Dourada de Aveia / Golden Oat Pancakes
Esta é uma panqueca de forno. Faço-a normalmente num daqueles tachos de ferro fundido, com asas em metal, e que podem ir ao forno. Assim derreto a manteiga ao lume, o que me deixa o tacho já untado, e depois transfiro para o forno. No entanto pode ser feita numa qualquer forma redonda de bolo.

Quanto à farinha de aveia, pode ser comprada em qualquer loja de comida saudável ou ervanária, mas também pode ser feita em casa, triturando flocos de aveia num robôt de cozinha até ficar com uma consistência fina. A aveia não contém glúten, e é dos cereais mais saudáveis, em especial para o pequeno almoço.

Para o topping imaginação é o limite. Em vez de flocos de aveia, podemos usar qualquer outro cereal, sementes de girassol, pevides, sementes de sésamo, amêndoas falhadas, pedaços de alperce seco, passas… A base da panqueca não é doce, pelo que os mais gulosos poderão querer aumentar um pouco a quantidade de mel.

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Café Patita

Era uma vez um blogue de receitas. Um blogue que não era bem um blogue, era só uma categoria num site maior, ali à mistura com design, ilustração, fotografia, blogue pessoal.

Confesso que roubei a ideia à Fleur. A pequena e exuberante francesa com quem partilhei casa quando vivi em Londres era designer de guarda-roupa e cenários fantásticos, com tecidos e materiais hi-tech que incorporavam LEDs e fibras óptica, e no site onde exibia o seu portfólio tinha uma pequena secção com receitas, profissionalmente fotografadas pela brilhante Beate Sonnenberg.

Achei a ideia maravilhosa e na versão que se seguiu do meu próprio portfólio de design, nasceu o “Recipe Book”. Não tardou muito a ter vida própria, com mais visitas do que o resto do conteúdo. A receita do Arroz Doce tornou-se a mais visitada de todo o site, e estava no top do Google para quem pesquisasse “Arroz Doce”.

Nas temporadas em que o trabalho mais apertava, o hábito de fotografar e escrever receitas para o blogue tinha ficado ocasionalmente suspenso, mas foi por pura distração que o “Recipe Book” chegou ao fim. Ao fazer a manutenção do site, apaguei por engano toda a base de dados, com todos os artigos que tinha escrito ao longo dos anos, quer no lado do portfólio, quer no lado das receitas.

Aproveitei a oportunidade para recomeçar e separar de vez a mistura de blogues num só. Patriciafurtado.net dedica-se agora exclusivamente ao meu trabalho nas áreas de ilustração e design, O inferno são os outros guarda as minhas desventuras pessoais, relatos de viagem e desabafos, e a partir de hoje, declaro aberto o Café Patita, onde vou recuperar alguns posts do “Recipe Book” e adicionar muita coisa nova.

Bem vindos. Façam como se estivessem em casa. Já trago qualquer coisinha para comer.

Amendoinhas / Little Almond Cakes

Esta manhã, enquanto me preparava para fazer o pequeno almoço, decidi que era um bom dia para anotar as quantidades da minha receita preferida – uma tarte/panqueca de amêndoa e maçã que faço sempre a olho. Contrariamente ao habitual, decidi fazer uma versão açucarada, e distraidamente acabei por deitar no preparado muito mais açúcar do que queria. Hesitei um pouco: será que fazia um pequeno almoço bem doce – um dia não são dias – ou era melhor começar de novo? Ganhou a segunda opção, mas para não deitar fora o que já tinha, resolvi improvisar e fazer uns bolinhos para levar para o almoço em casa dos pais.

E não é que ficaram deliciosos? Doces, mas suficiente pequenos para não exagerar. Ora experimentem:

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Arroz Doce / Portuguese Rice Pudding

O meu amigo André não queria que publicasse aqui esta receita, não é egoísta? Mas a receita é da minha mãe (que a herdou da minha avó) e se ela não se importa de a partilhar com o mundo, porque não?

Atenção que o André não é o único fã deste Arroz Doce. Este Arro Doce já tem uma legião de fãs tão grande que dava para abrir a sua própria página de Facebook. E é tão fácil que se prepara num instante em caso de emergência. Sim, há emergências que requerem Arroz Doce, acreditem…

Há montanhas de variações de Arroz Doce espalhadas por esse mundo. As receitas portuguesas tendem a divergir sobretudo na adição de gemas no final, enquanto as receitas sul americanas usam sempre leite condensado.

Esta receita da minha mãe é especialmente cremosa e muito doce, não fosse o meu pai o habitual cliente. Fica o aviso, quem não for guloso a sério pode cortar um bocado na quantidade de açúcar.


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Torta de Limão / Lemon Roll

Esta é uma daquelas receitas da minha infância, uma torta que a minha mãe fazia muitas vezes e que foi sempre popular na família. Desde o momento que aprendi a fazê-la, passou a aparecer regularmente nas mesas das minhas festas e jantares de amigos, com a sua capacidade única de desaparecer à velocidade da luz. Em vez de best-seller, chamo-lhe um best-eater.

Torta de Limão / Lemon Roll

A minha mãe sabe a receita de cor. Já eu, passo a vida a perder o papel/caderno/parte de trás de um envelope/post-it  onde assentei as quantidades, e a minha memória, tão boa para outras coisas, recusa-se a gravar esta simples receita.

– Olá Mãe! Tenho um jantar logo e estava a ligar porque…
– Queres a receita da Torta de Limão?
– Sim, por favor.
– Já escrevias isso em algum lado…

E aqui está. Foi uma das razões para abrir um blogue com receitas. Não as perder. Claro que eventualmente até isso correu mal, e eu fiquei sem o blogue durante algum tempo. E sim, liguei mais uma vez ou duas à minha mãe para saber da torta. Há coisas que nunca mudam.


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