Frappé Latte

Já sabia que ia ser assim. Uma irritação. Um problema. Uma calamidade. Ia viver para Londres e nunca mais teria direito a um café como deve ser. Poderia eu sobreviver à chuva persistente (e a todas as outras dificuldades que me esperavam) sem beber uma bica decente todas as manhãs?

Depois da alguns meses a viver de café de saco, a minha mãe ofereceu-me uma máquina de café expresso. Alegria. De cada vez que eu vinha a Lisboa, voltava com um carregamento de Delta ou Sical na mala, e o problema em casa estava resolvido.

Mas quando me andava a pavonear pelas ruas de Londres, estava outra vez em apuros. Havia, sim, alguns oásis portugueses de bom café. A Lisboa Delicatessen em Portobello, o Escondidinho em North End Road, o madeirense em Finsbury Park, aquele restaurante português ao pé de Canon Street cujo nome já esqueci. Mas, no centro da cidade, estava à mercê das três cadeias principais de cafés em Londres — Starbucks, Costa e Nero — onde a bica era sempre curta, cara e, muitas vezes, queimada.

Com o tempo, fui fazendo a minha própria estatística, e percebi que o sítio onde havia uma maior probablidade de beber uma bica que não me deixasse a fazer caretas e abanar a cabeça era no Caffe Nero. Cegueta como sou, ganhei a capacidade de distinguir as tabuletas azuis e pretas a distâncias incríveis.

Foi justamente no Nero que descobri esta maravilha de verão, o Frappé Latte. Frappé é francês para batido; Latte, italiano para leite. (O café, que é o mais importante, está subentendido.) Essencialmente, é um galão batido com gelo com um nome multinacional para que custe uma barbaridade. Se já custava dar 300 paus por uma bica, era melhor nem fazer o câmbio para não percebermos quantos escudos custava cada golinho daquilo. (Quando fui para Londres, o euro ainda não circulava. E comparar libras com escudos era sempre assustador)

Claro que tentei reproduzir o maravilhoso Frappé Latte em casa, mas falhei monumentalmente. A minha versão saía sempre fraquinha e aguada. E se tentasse compensar o sabor aguado com leite condensado, acabava por ficar demasiado doce.

Frappé Latte

Finalmente percebi o que estava a fazer mal. Para começar, devia ser feito com duas bicas em vez de apenas uma e quem não quiser tanta cafeína de uma só vez que substitua (uma ou ambas) por descafeinado. Em segundo lugar, para compensar a enorme quantidade de gelo, é preciso adicionar… leite em pó.

O meu galão batido com gelo não é a cópia exacta do Frappé Latte do Nero, mas não fica nada atrás. Tem um sabor fantástico, dois dedos de espuma cremosa e, acima de tudo, não custa quase um conto de reis!

Frappé Latte

Frappé Latte

  • 2 cafés expresso
  • 125ml de leite
  • 2 c. sopa de leite em pó
  • 1 c. sopa de leite condensado
  • 1 chávena de gelo picado (ou cubos de gelo, se se usar uma liquidificadora com capacidade de triturar gelo)

Na liquidificadora ou copo da varinha mágica, juntar os cafés, acabados de tirar, com o leite, o leite em pó e o leite condensado e triturar bem. Deixar arrefecer.

Adicionar o gelo e triturar durante breves minutos, até obter uma mistura homogénea, com muita espuma. Servir de imediato.

Dia 1 na Cozinha - Agosto Dia Um… Na Cozinha: não se esqueçam de visitar a página do grupo para ver todos os batidos deliciosos que foram feitos para hoje.

Comentários

  • Excelente sugestão Patricia. Um batido diferente mas que não é apreciado por todos. Eu adoro café e preciso dele todos os dias para poder funcionar normalmente. A cafeína já faz parte da minha vida e somos inseparáveis. Já provei algures esse Frappé Latte e fiquei fã. E é óptimo para servir no Verão. 😉
    Um beijinho.

  • Olá Patrícia! Gosto muito de café mas sou daquelas aves raras que tanto pode beber 6 num dia e ainda assim adormecer como um anjo ou ficar 2 dias em Frankfurt e não entrar em privação (sim, que eu também não vou à bola com os starbucks deste mundo). Dito isto, adorei a sugestão e vou já levar a receita comigo :)

    Beijinhos, Paula

    Paula,
  • Paula,

    Adorei este Frappé Latte. Levei comigo a receita para experimentar! Bjs

    Carla Antela Alves,