Pickle de Maçã Verde e Cebola Doce - Green Apple and Sweet Onion Pickle

Sempre gostei de maçã, sempre foi das minhas frutas preferidas. Pickles, no entanto… nem por isso. A minha antipatia  — ou antes, horror — ao vinagre vinha dos tempos do ciclo preparatório, daquelas quartas-feiras em que a Dona Otília insistia em limpar os bicos do fogão mergulhando-os em vinagre Cristal, no exacto momento em que eu almoçava. Ficava estragada com aquele cheiro ácido que inundava a cozinha, mandava uns olhares de ódio à pobre senhora, e devorava o meu almoço a toda a velocidade para fugir dali. «Não sejas preguiçosa, Patrícia. Em vez de protestar, pega no teu pratinho e vai comer para a sala!», grito agora, mas do lado de lá dos quase 30 anos que passaram não me ouço. Resmungo, mas deixo-me estar.

Maçã Verde e Cebola Doce - Green Apple and Sweet Onion

Foi justamente a maçã, ou por outra, o vinagre de cidra, que me curou a esta aversão. (O balsâmico, então, reconciliou-me de vez, mas isso será para outra história.) E quando percebi que se podem fazer pickles de virtualmente qualquer coisa, foi pela maçã que resolvi começar, e juntei à festa uma cebola doce, que é uma variedade de cebolas pequenas e menos intensa do que o normal. Uma cebola roxa teria ficado lindíssima aqui também, mas tive medo que dominasse demasiado a maçã.

Estas fatias de maçã e cebola são perfeitas para acompanhar qualquer tipo de carne, cortando a gordura, criando alguma textura e limpando o palato no processo. O resultado foi tão bom que me converteu de vez aos pickles e ao vinagre. A avinagrada Dona Otília está finalmente perdoada.


receita

Galette

A família dos tubérculos: destinadas a crescer debaixo da terra, a mãe natureza não se prendeu muito com questões estéticas ao criar a batata, a cenoura, a pastinaca, a batata doce e a beterraba. Estas meninas são feiosas, é um facto.

Root Vegetables

Mas têm bom coração, e isso é o mais importante. Para as tornar mais bonitas e apetecíveis, estamos cá nós.

Curiosamente, a batata acaba por ser a menos generosa da família, em termos nutrientes e vitaminas. E no entanto, é, de longe, a que mais amor recebe (pelo menos por estas paragens). Dúzias de pratos diferentes e são todos bons — nunca comi uma batata que não gostasse.

Um dos meus preferidos é a galette (Vive la France! , mais uma vez). Rodelas finíssimas de batata em camadas, com muita manteiga, sal e alecrim, compõem um disco que fica cremoso por dentro e estaladiço por fora. Quando se convida o resto da família para a festa, o resultado então é espectacular.  As cores e sabores da cenoura, batata doce, pastinaca e beterraba conseguem mesmo melhorar um prato que já era maravilhoso só por si.

Galette

É um acompanhamento fantástico para carne ou peixe — que bem que vai com um franguinho assado — mas com um bocadinho de imaginação também pode ser um prato principal. É só acrescentar um topping de bolonhesa, por exemplo. Ou queijo de cabra, nozes e um fiozinho de mel, acompanhado por uma salada verde,  se quisermos um prato vegetariano. Podemos até torná-lo vegan, substituindo a manteiga por azeite.

Galette

Galette

Galette


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