Bacon and pickled apple sandwich

Esta não é uma sanduíche para os fracos. É ácida, é doce, é salgada, é cremosa, é crocante, é gulosa!

Vamos fingir que sou o Guy Fieri do Food Network (afinal sou loura e rechonchuda e posso sempre ir buscar um par de óculos de sol e colocá-los na nuca, virados ao contrário). De boca cheia depois de dar uma valente dentada nesta sandocha, vou declamar os clichés culinários que sempre quis dizer mas nunca tive lata: «É deliciosa!», «É uma explosão de sabor!!», «É uma festa na nossa boca!!!», «É a melhor sanduíche do universo e arredores, a melhor sanduíche desde a alvorada dos tempos!!!!!!!».

Pronto, pronto. Calma, Guy.

Bacon and pickled apple sandwich

Com bacon, pickle de maçã verde e cebola doce e maionese caseira de lima com mel e mostarda numa baguette estaladiça, não é de facto uma sanduíche tímida. É intensa, exagerada. É uma sanduíche com muitos pontos de exclamação!!!!!!

Bacon and pickled apple sandwich


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Pickle de Maçã Verde e Cebola Doce - Green Apple and Sweet Onion Pickle

Sempre gostei de maçã, sempre foi das minhas frutas preferidas. Pickles, no entanto… nem por isso. A minha antipatia  — ou antes, horror — ao vinagre vinha dos tempos do ciclo preparatório, daquelas quartas-feiras em que a Dona Otília insistia em limpar os bicos do fogão mergulhando-os em vinagre Cristal, no exacto momento em que eu almoçava. Ficava estragada com aquele cheiro ácido que inundava a cozinha, mandava uns olhares de ódio à pobre senhora, e devorava o meu almoço a toda a velocidade para fugir dali. «Não sejas preguiçosa, Patrícia. Em vez de protestar, pega no teu pratinho e vai comer para a sala!», grito agora, mas do lado de lá dos quase 30 anos que passaram não me ouço. Resmungo, mas deixo-me estar.

Maçã Verde e Cebola Doce - Green Apple and Sweet Onion

Foi justamente a maçã, ou por outra, o vinagre de cidra, que me curou a esta aversão. (O balsâmico, então, reconciliou-me de vez, mas isso será para outra história.) E quando percebi que se podem fazer pickles de virtualmente qualquer coisa, foi pela maçã que resolvi começar, e juntei à festa uma cebola doce, que é uma variedade de cebolas pequenas e menos intensa do que o normal. Uma cebola roxa teria ficado lindíssima aqui também, mas tive medo que dominasse demasiado a maçã.

Estas fatias de maçã e cebola são perfeitas para acompanhar qualquer tipo de carne, cortando a gordura, criando alguma textura e limpando o palato no processo. O resultado foi tão bom que me converteu de vez aos pickles e ao vinagre. A avinagrada Dona Otília está finalmente perdoada.


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Doce de Peramboesa

Tenho saudades dos meus avós. Da avó Lena em particular, tantas. Da comidinha da avó Lena também.

Em miúda, chegar à Lourinhã para umas férias ou fim de semana era sinónimo de ter um bolo de iogurte acabadinho de sair do forno à espera. E havia uma alegria especial quando o jantar era bife com batata frita e sopa de cenoura. Também fazia compotas excepcionais, nomeadamente um doce de pêra com pedaços, com que o meu irmão se lambuzava sempre que podia.

Talvez seja apenas a minha memória a pregar partidas, e a minha imaginação a tomar as rédeas, mas lembro-me de a minha avó ser muito consistente a cozinhar. O bolo saía sempre igual, sempre perfeitamente crocante por fora e fofinho por dentro. Os bifes eram fritos numa frigideira grande e tinham um molho que não era muito espesso e estava cheio de fatias de alho que eu deixava sempre no prato. A acompanhar, batatas fritas cortadas em palitos grossos, sempre no ponto. A sopa de cenoura, tão aveludada, era a única que não faziamos fita para a comer. Se fechar os olhos, ainda me consigo lembrar do sabor.

Doce de Peramboesa

A paciência é das qualidades mais importantes na cozinha, e a Avó Lena foi a pessoa mais paciente que alguma vez conheci. A minha mãe herdou essa paciência em grande parte e, embora não lhes chegue aos calcanhares, gosto de pensar que também me passaram essa característica. E também o prazer de cozinhar para os outros, o carinho com que se prepara uma refeição que outros irão provar. Ou um pote de doce que vamos oferecer.

Já a consistência é outra história. De algum modo, parece que fazer algo sempre da mesma maneira vai contra a minha natureza. Apesar da paciência, aborreço-me com facilidade. Talvez seja essa a definição de criatividade: uma necessidade de procurar novos caminhos que vem de uma imensa aversão a repetir. Isto reflete-se em tudo o que faço, na minha vida pessoal,  profissional e, claro, na cozinha.

Doce de Peramboesa

Doce de Peramboesa

O que nos leva de volta ao maravilhoso doce de pêra da Avó Lena, o que ela fez vezes sem conta, sempre da mesma maneira. Francamente, nunca houve razão para alterar nada. Era perfeito. Da primeira vez que o fiz, segui a receita à risca, e ficou divinal. Mas a partir da segunda vez, as experiências começaram. E hoje trago-vos uma das experiências mais bem sucedidas, aquela em que adicionei uma mão cheia de framboesas ao tacho, o que transformou completamente o sabor e lhe deu um tom mais avermelhado.

O sabor a framboesa, nestas proporções, é subtil e faz-nos pensar em gomas e rebuçados. Pode ser da mesma família, mas já não é doce de pêra. (Franpêra? Peroesa? Peramboesa? Gosto de misturar as palavras como os ingredientes.) É melhor ou pior do que o original? É uma questão de gosto. Para mim não fica nada a perder, e por isso o partilho aqui. É diferente de qualquer doce que se possa comprar no supermercado, a melhor razão para deitar mãos à obra e distribuir pequenos potes de doce pelos amigos.

Fica perfeito em tostas ou torradas, e gosto especialmente de o combinar com o sabor salgado do queijo creme. Também complementa muito bem um iogurte grego não açucarado, mais uma vez, por causa do contraste dos sabores.

Doce de Peramboesa


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Frappé Latte

Já sabia que ia ser assim. Uma irritação. Um problema. Uma calamidade. Ia viver para Londres e nunca mais teria direito a um café como deve ser. Poderia eu sobreviver à chuva persistente (e a todas as outras dificuldades que me esperavam) sem beber uma bica decente todas as manhãs?

Depois da alguns meses a viver de café de saco, a minha mãe ofereceu-me uma máquina de café expresso. Alegria. De cada vez que eu vinha a Lisboa, voltava com um carregamento de Delta ou Sical na mala, e o problema em casa estava resolvido.

Mas quando me andava a pavonear pelas ruas de Londres, estava outra vez em apuros. Havia, sim, alguns oásis portugueses de bom café. A Lisboa Delicatessen em Portobello, o Escondidinho em North End Road, o madeirense em Finsbury Park, aquele restaurante português ao pé de Canon Street cujo nome já esqueci. Mas, no centro da cidade, estava à mercê das três cadeias principais de cafés em Londres — Starbucks, Costa e Nero — onde a bica era sempre curta, cara e, muitas vezes, queimada.

Com o tempo, fui fazendo a minha própria estatística, e percebi que o sítio onde havia uma maior probablidade de beber uma bica que não me deixasse a fazer caretas e abanar a cabeça era no Caffe Nero. Cegueta como sou, ganhei a capacidade de distinguir as tabuletas azuis e pretas a distâncias incríveis.

Foi justamente no Nero que descobri esta maravilha de verão, o Frappé Latte. Frappé é francês para batido; Latte, italiano para leite. (O café, que é o mais importante, está subentendido.) Essencialmente, é um galão batido com gelo com um nome multinacional para que custe uma barbaridade. Se já custava dar 300 paus por uma bica, era melhor nem fazer o câmbio para não percebermos quantos escudos custava cada golinho daquilo. (Quando fui para Londres, o euro ainda não circulava. E comparar libras com escudos era sempre assustador)

Claro que tentei reproduzir o maravilhoso Frappé Latte em casa, mas falhei monumentalmente. A minha versão saía sempre fraquinha e aguada. E se tentasse compensar o sabor aguado com leite condensado, acabava por ficar demasiado doce.

Frappé Latte

Finalmente percebi o que estava a fazer mal. Para começar, devia ser feito com duas bicas em vez de apenas uma e quem não quiser tanta cafeína de uma só vez que substitua (uma ou ambas) por descafeinado. Em segundo lugar, para compensar a enorme quantidade de gelo, é preciso adicionar… leite em pó.

O meu galão batido com gelo não é a cópia exacta do Frappé Latte do Nero, mas não fica nada atrás. Tem um sabor fantástico, dois dedos de espuma cremosa e, acima de tudo, não custa quase um conto de reis!

Frappé Latte

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Waffle Bread

Sinto-me como o coelho branco da Alice no País das Maravilhas, sempre a queixar-me de estar atrasada, de não ter tempo para nada. A verdade é que tenho uma surpresa para aqui contar em breve, e é algo que me tem afastado do blogue nos últimos tempos. Mas como não queria deixar de participar, aqui fica a minha receita de pão para o Dia 1… na cozinha do mês de Maio.

Waffle Bread

Há umas semanas, resolvi finalmente comprar a máquina de waffles que andava a namorar há bastante tempo. Para provar a mim mesma que sim, vou usar a máquina muitas vezes, comecei a fazer waffles por tudo e por nada. Waffles clássicos, waffles de aveia, waffles de chocolate, waffles salgados, waffles de batata… até que, como não podia deixar de ser experimentei fazer waffles de pão. Inspirada na receita clássica do pão indiano Naan, que é feito com iogurte, usando apenas fermento em pó, (estou atrasada, não tenho tempo para nada, etc) inventei uma receita que acabou por funcionar lindamente. É um pão muito estaladiço, com uma grande superfície exterior, pelo que deve ser comido assim que sai. As pequenas covinhas são perfeitas para apanhar a cobertura, seja esta manteiga, xarope, compota ou molho. Faz-se num instante, pelo que é ideal para uma emergência. Ou para uma preguiçosa como eu que raramente pensa com muita antecedência no que vai comer. As minhas desculpas a quem não tem máquina de waffle, mas este pãozinho rápido também pode ser feito numa frigideira, pelo que não há desculpa para não experimentar.

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Travesseiros

Março passou a correr. Deve ter sido dos meses em que mais horas passei frente ao computador e menos na cozinha. O blogue foi abandonado, pobrezinho, e a receita do mês para o “Dia 1… Na cozinha” ficou mesmo para dia 1. De novo. O tema é Doçaria Regional, e esta receita foi um pedido especial do meu irmão Miguel.

Os travesseiros  de Sintra são daquelas raras comidas que nos fazem percorrer quilómetros apenas para as provar. E quem diz “provar”, diz “devorar a toda a velocidade, acabados de sair do forno, queimar a língua, abrir a boca e soprar, na esperança de que o pedaço de travesseiro arrefeça antes de seguir caminho, dizer uma asneira ou duas, voltar a cometer o mesmo erro e acabar a sacudir todo o açúcar e massa folhada que caiu na camisola”. E a razão de fazermos tantos quilómetros é simples: os travesseiros de Sintra vendidos fora de Sintra nunca são a mesma coisa.

Travesseiros

Por isso o desafio não podia ser maior: numa só tentativa (porque não tinha outra chance para repetir e afinar) e sem receita (já que pela internet fora, as que encontrei não me pareciam correctas) recriar os divinos pasteis que, por sinal, já não como há anos, e passar o exigente controle de qualidade da minha família. Tudo isto a correr, já que não podia abandonar o livro que estou a ilustrar por muito tempo. Confesso, tinha a certeza de que ia falhar.

Não tinha massa folhada de compra e, entre perder tempo a ir ao supermercado ou fazer de raiz, escolhi a segunda opção, e resolvi fazer a minha massa folhada batoteira. Desde que descobri esta maneira de fazer massa folhada, (rough puff) não quero outra coisa. É quase perfeita, muito rápida de fazer e, por ser feita com manteiga, sabe muito melhor do que a massa do supermercado (pelo menos para mim). Quanto ao recheio, do que me consigo lembrar, parece-me uma mistura de ovos moles com amêndoa, por isso improvisei baseada nisso. Todas as receitas que encontrei tinham uma quantidade enorme de canela, e era capaz de jurar que não levam canela nenhuma. Teria ajudado poder provar um dos travesseiros originais mesmo antes de partir nesta aventurazita, mas se não tinha tempo para ir ao supermercado, muito menos tinha para me fazer ao caminho e ir a Sintra.

Descrente que estava na semelhança da minha invenção ao original, pensei chamá-los Travesseiros de Alvalade, em homenagem aqui ao bairro. Mas quando finalmente os provei, ainda quentes como manda a regra, fiquei maravilhada. Podem não ser os verdadeiros travesseiros de Sintra, mas também não estavam tão longe como Alvalade. Seriam talvez uns Travesseiros de Ranholas, ou para ter um nome mais digno, uns Travesseiros de Lourel. De um modo ou outro, estão mesmo, mesmo, lá perto. Não acreditam? Perguntem ao Miguel.

Travesseiros

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Tarte Flambée

Em 1994, passei um mês na Alsácia, com um grupo de jovens de todo o mundo — éramos 40, de 25 nacionalidades—, a convite dos Lions Clubs de França. Não acredito que já passaram 20 anos. Uma coisa é certa: a Patrícia que foi, não foi a mesma que voltou.

O CCMI94 foi um mês de aventuras gastronómicas e culturais inesquecíveis, mas sobretudo, obrigou-me a sair da minha zona de conforto e a aprender a disfarçar a minha insegurança e timidez. Fiz grande s amigos e apaixonei-me perdidamente pela primeira vez, com o consequente e inevitável desgosto de amor, mas essa história fica para outro dia.

Tarte Flambée

Fui de avião para Paris, onde conheci o grupo com quem ia ficar, e seguimos depois em autocarro para Estrasburgo, depois para Metz, acabando de novo em Estrasburgo. Visitámos o Parlamento Europeu, museus, catedrais, fortalezas, quintas, caves vinícolas, assistimos a espectáculos fogo de artifício, de teatro ao ar livre, vimos juntos Brasil ganhar à Itália na final do campeonato do mundo de futebol, fizemos piqueniques, caminhadas, explorámos bem toda a região. E no meio disto tudo, aconteceram duas coisas importantes: aprendi a gostar de vinho e de pizza.

Uma das nossas primeiras visitas tinha sido a uma cave de champanhe, precisamente em Champagne, que ficava no caminho entre Paris e Estrasburgo. Ainda era a esquisitinha com medo de experimentar coisas novas, e fui burra suficiente para nem sequer ter provado aquele champanhe maravilhoso, um daqueles arrependimentos que ficam para sempre. Foram todos bem mais alegres o resto da viagem, é tudo o que sei. Todos menos eu.

No entanto, estivemos presentes em inúmeras recepções oficiais, em que a escolha de bebidas era, invariavelmente, um horrível sumo de laranja artificial, muito diluído, ou um cocktail lindíssimo chamado de Kir. O Kir é típico da região e consiste numa flute de vinho branco bem gelado (o Kir Royal era com champanhe), com um licor de groselha preta no fundo do copo (Crème de Cassis), fazendo um bonito degradé. Acho que ainda bebi sumo uma ou duas vezes — lá está, burra — mas eventualmente ganhei juízo e através do Kir aprendi a gostar, e muito, de vinho branco.

Tarte Flambée

Com as pizzas , também foi por falta de alternativa. A maioria das nossas refeições era feita numa cantina universitária ao pé da praça da Catedral, uma das mais bonitas praças que já visitei. A comida era… de cantina, com uma extraordinária excepção. Havia um forno a lenha a produzir fantásticas pizzas ali mesmo à nossa frente. Assim que chegávamos, era uma correria desenfreada para a bicha das pizzas. Já eu era a primeira a despachar-me, porque ia para a comida normal. Que nunca tinha bicha. Porque ninguém a comia. Porque era má, muito má, péssima mesmo. Só que eu não gostava de pizza, porque tinha queijo e o horror era tanto que eu não conseguia nem tocar em queijo. Mas dia após dia, aquela comida miserável acabou por vencer-me e lá acabei por ganhar coragem para me juntar à multidão.

Para meu grande choque, a pizza era simplesmente a melhor coisa do mundo. O queijo normal pode ser horrendo, mas queijo derretido é maravilhoso e viciante! A descoberta do vinho tinha sido rápida, mas para minha desgraça, tinha demorado quase o mês inteiro para chegar a pizza. Mas foi mesmo à conta.

Tarte Flambée

Após um mês a morar juntos num campus universitário, grande parte do grupo voltou para casa, cada um para o seu canto do mundo. Quem quisesse podia ficar ainda uma semana alojado numa família de acolhimento, o que foi o meu caso. No último dia, organizou-se um jantar de despedida dos que ainda restavam, num restaurante típico Alsaciano, onde se serviam as famosas Tartes Flambées, ou Flammekueche, uma espécie de pizza branca com massa muito fininha e estaladiça, natas ácidas, cebola e bacon.

Em vez de regressar de avião, os meus pais tinham decidido que me iam buscar de carro, com o meu irmão. Sim, foram de Lisboa a Estrasburgo, como quem vai ali à margem sul. Com várias paragens turísticas pelo caminho, é certo, mas em intenso modo de papa-quilómetros.  Tinham chegado a Estrasburgo justamente nesse dia, e juntaram-se ao grupo nesse épico jantar.

Passaram 20 anos mas lembro-me de tudo ao pormenor. A enorme mesa em forma de L no pátio do restaurante, a temperatura espectacular daquela noite de Agosto, as Tartes Flambées deliciosas que desapareciam em segundos mas não paravam de chegar, o vinho fresco que eu não parava de beber, a euforia de estarmos juntos uma última vez, uma mistura da alegria de ainda ali estar, e ver os meus pais e irmão depois de um mês fora, com a tristeza dilacerante de saber que partia na manhã seguinte. Também nunca me vou esquecer da cara de espanto dos meus pais ao verem-me comer pizza e beber vinho como se não houvesse amanhã. Quem és tu e o que fizeste com a nossa filha?

Tarte Flambée

Quando vi que o tema deste mês do Dia um… na cozinha era pizza, não foi Roma mas sim Estrasburgo que me veio à cabeça. A Tarte Flambée não é bem uma pizza, mas pertence à família. De certo me perdoarão.

Tarte Flambée


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Galette

A família dos tubérculos: destinadas a crescer debaixo da terra, a mãe natureza não se prendeu muito com questões estéticas ao criar a batata, a cenoura, a pastinaca, a batata doce e a beterraba. Estas meninas são feiosas, é um facto.

Root Vegetables

Mas têm bom coração, e isso é o mais importante. Para as tornar mais bonitas e apetecíveis, estamos cá nós.

Curiosamente, a batata acaba por ser a menos generosa da família, em termos nutrientes e vitaminas. E no entanto, é, de longe, a que mais amor recebe (pelo menos por estas paragens). Dúzias de pratos diferentes e são todos bons — nunca comi uma batata que não gostasse.

Um dos meus preferidos é a galette (Vive la France! , mais uma vez). Rodelas finíssimas de batata em camadas, com muita manteiga, sal e alecrim, compõem um disco que fica cremoso por dentro e estaladiço por fora. Quando se convida o resto da família para a festa, o resultado então é espectacular.  As cores e sabores da cenoura, batata doce, pastinaca e beterraba conseguem mesmo melhorar um prato que já era maravilhoso só por si.

Galette

É um acompanhamento fantástico para carne ou peixe — que bem que vai com um franguinho assado — mas com um bocadinho de imaginação também pode ser um prato principal. É só acrescentar um topping de bolonhesa, por exemplo. Ou queijo de cabra, nozes e um fiozinho de mel, acompanhado por uma salada verde,  se quisermos um prato vegetariano. Podemos até torná-lo vegan, substituindo a manteiga por azeite.

Galette

Galette

Galette


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Sopa cor-de-rosa

Sopa?! Outra vez?! E a um Sábado? Não estou doente, prometo. Acontece que me juntei a um grupinho engraçado no Facebook, o “Dia um… na cozinha!” , e o tema deste mês é justamente “Sopas de legumes”.

Hoje a minha sopa é pirosa. Não levem a mal, é mesmo assim. O meu amor ao cor-de-rosa vem da meninice, mas passei toda a adolescência a evitá-lo – não podia admitir que a minha cor preferida era aquela piroseira infantil. Felizmente, o dia chegou em que tive de admitir derrota: eu jamais seria cool. E se me apetecia usar cor-de-rosa, nada me iria impedir. Lá dei as boas vindas a uns All Star rosa bebé, a t-shirts de todos os tons de rosa possíveis, malas cor de rosa e até um maravilhoso impermeável rosa-choque. E hoje, até a sopa é cor-de-rosa!

Para este desafio, fui buscar uma sopa que os meus pais faziam muito quando eu era miúda e dei-lhe uma makeover. A sopa de que falo era um creme de cebola, muito suave, só com batata e cebola. Juntei-lhe um alho francês que tinha no frigorífico e meia beterraba pequenita, para dar cor, mas o sabor ficou muito perto do da sopa original. Naquela altura, teria achado esta a melhor sopa do mundo. Para a tornar ainda mais kitsch, decorei-a com uma flor de fatias de beterraba assada e folhas de salva fritas.

Beterraba

Beterraba

Ao contrário da beringela, a beterraba é um vegetal feioso por fora, mas lindo por dentro. Sem ser cozinhada, tem um sabor muito particular, a terra. Mas é um sabor que se dissipa um pouco quando a beterraba é cozinhada, e o que fica é um fantástico sabor adocicado. Assada às rodelas fininhas no forno, só com um fio de azeite, sal e pimenta, é um petisco fabuloso, e fica mesmo bem com esta sopa. Nada melhor do que algo estaladiço para acompanhar um creme aveludado. As folhas de salva fritas em manteiga também são uma excelente adição crocante, que roubei à cozinha italiana.

Beterraba

Beterraba


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Baba Ganoush

Amigos, aconteceu uma calamidade. Por causa do Baba Ganoush vou ter de provar queijo da serra (blherc!). Fiz uma troca com o meu pai e vou ficar a perder, porque Baba Ganoush é dez mil vezes melhor do que queijo da serra. Acho eu, que não provei (ainda) o dito queijo, pela simples razão de que não me consigo sequer aproximar daquele cheiro insuportável. Mas o meu pai provou o Baba Ganoush, e por isso vou ter de cumprir a minha parte do acordo. Onde é que eu estava com a cabeça?

Baba Ganoush

A razão que me levou a fazer Baba Ganoush pela primeira vez não foi propriamente racional: gostei do nome. Baba Ganoush, parece o cruzamento de um personagem do Star Wars com uma divindade Hindu. Só podia ser delicioso!

Fiquei contente quando descobri que se tratava de um patê de beringela, já que andava há tempos com vontade de explorar este vegetal tão bonito por fora, mas tão desinteressante por dentro. Mas receei que o resultado fosse isso mesmo, desinteressante, já que o aspecto do patê era muito menos espectacular que o nome.

Baba Ganoush

Mas nada disso: é mesmo muito, muito, bom. Parece que, ao cozinharmos a beringela directamente sobre o bico do fogão, esturricando totalmente a pele, ela ganha um maravilhoso sabor fumado. Combinado com a pasta de sésamo, o alho e as especiarias, fica do outro mundo. Consigo comer uma taça inteira num piscar de olhos, o que não faz mal nenhum porque, ainda por cima, é saudável! Oh, Baba Ganoush, I love you!

Baba Ganoush

Como boa filha que sou, tentei convencer o meu pai que Baba Ganoush era a maior maravilha ao cimo da terra mas, por alguma razão, assim que ouviu a palavra “beringela”, recusou-se a acreditar. E foi assim que me saíram as palavras fatais: “Se provares Baba Ganoush, provo o que tu quiseres. Sim, até queijo da Serra.” Nãããããããããooooo! De novo, onde é que eu estava com a cabeça?!

Meses passaram. Tentei adiar o inevitável, mas calhou eu fazer Baba Ganoush para a minha festa de anos. Calhou convidar os meus pais. Calhou o meu pai provar,  e gostar do Baba Ganoush. E calhou não se ter esquecido do nosso acordo. Um dia destes vai por-me um horrendo queijo da serra à frente, e vou ter de tapar o nariz como uma criancinha, e… nem quero pensar. Depois conto.

Por enquanto, fiquem com a minha versão de Baba Ganoush. Se não quiserem provar, azarucho, temos pena. Eu é que não faço mais acordo nenhum!

Baba Ganoush


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Crème Brûlée

Não comecem já a apontar o dedo, o título é mesmo assim. A verdadeira crème brûlée é cozinhada no forno, em banho maria e tende a ficar um bocadinho mais sólida do que esta versão microondas. Por isso, para evitar ofender os franceses que gostam de tudo comme il faut, resolvi dar um nome diferente a esta versão rápida. Daí chamar-se crèmbrûlée.

A crème brûlée original é prima do nosso leite creme ou da crema catalana dos nuestros hermanos. A diferença principal é que em França se usam natas espessas em vez de leite engrossado com farinha maizena. Só posso estar de acordo. Vive la France!

Crème Brûlée

A crèmbrûlée subiu rapidamente ao top das minhas favoritas, porque tenho um fraquinho por receitas fáceis e rápidas, com poucos ingredientes e porções pequenas. Especialmente se forem tão ricas como esta. Lá porque nos apeteceu fazer batota e quebrar a dieta por um dia, não quer dizer que seja boa ideia ficar com o frigorífico cheio de tacinhas tentadoras, e ficar uma semana inteira a prevaricar, só porque não se pode desperdiçar comida. Nem todos temos famílias numerosas. Por outro lado, estas duas porções são generosas, pelo que se podem dividir em sobremesas mais pequenas e fazer render, juntando alguma fruta fresca para acompanhar – framboesas são a combinação perfeita.

Crème Brûlée

No entanto, tenho de deixar aqui um aviso: é uma receita muito fácil de fazer, mas também é muito fácil de estragar. Uns segundos a mais no microondas e pode talhar, perdendo a maravilhosa textura aveludada que a caracteriza. O segredo é tomarmos muita atenção e nunca deixarmos ferver. Reduzir a potência do microondas, se for muito forte, e cozinhar em pequenos períodos de 10 a 15 segundos de cada vez, até termos uma consistência cremosa. Não queremos um creme muito espesso, porque acaba por ganhar firmeza no frigorífico. Aqui, a ambição é o que estraga tudo.

Se não tivermos pressa, e não quisermos arriscar, podemos também fazê-lo numa pequena caçarola, sobre um lume muito baixo, mexendo sempre. É a versão segura, e deste modo dá para dobrar ou triplicar a receita, caso seja necessário.

Crème Brûlée

Pode ser imediatamente, mas gosto mais se estiver bem geladinha, para contrastar com o açúcar. É questão a fazer com antecedência. O açúcar, esse, tem de ser queimado na altura de servir. O importante é deixar aquela camada bem estaladiça e, para isso acontecer, não podemos ser forretas na quantidade açúcar mascavado que colocamos em cima de cada taça.

Crème Brûlée

Crème Brûlée


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Sopa de coco e abóbora

Que fique bem claro: para mim, a melhor sopa do mundo é a sopa de cenoura da minha Avó Lena, que prometo partilhar aqui em breve. Faço também questão de deixar registado que as sopas da minha mãe e do meu pai eram – e são – deliciosas. A minha resistência às sopas não tem nada a ver com a qualidade das que comia em pequena, mas sim pelo facto de serem uma obrigatoriedade, uma imposição diária.

Havia uma sopa em particular que era o meu maior pesadelo: a sopa de feijão, a substância mais horrível jamais inventada pela humanidade. Depois de uma ou duas tentativas, os meus pais perceberam que era melhor fugir dela a todo o custo. Já no jardim-escola, onde não havia como evitá-la, era fita garantida. Lembro-me bem de uma vez que fiquei no refeitório bem para além da hora de almoço, lavada em lágrimas, rodeada das auxiliares tiranas que me negavam a liberdade enquanto não acabasse o maldito prato de sopa castanha, já fria. Teria uns quatro ou cinco anos, é das minhas memórias mais antigas.

Só estes traumas parvos explicam que raramente me dedique a fazer sopa cá em casa. Eu sei que é bom, e que faz bem, mas nunca estou para aí virada. E quando estou, acabo sempre por fazer sopas completamente diferentes daquelas que habitaram a minha infância. Como esta.

Abóbora manteiga

Esta sopa pouco convencional começa num pirex, e acaba numa liquidificadora, e nem sequer chega a passar por uma panela. Embora seja uma oportunidade perdida para usar diferentes especiarias, prefiro a simplicidade destes dois sabores que combinam tão bem e brilham sozinhos. Sal, pimenta e um pouco de sumo de limão são tudo o que é necessário.

Abóbora manteiga assada

Abóbora manteiga assada

E, na verdade, são três receitas numa só. Ao sair do forno, a abóbora manteiga está pronta a ser consumida como um belíssimo acompanhamento. Para um toque salgado extra, pode voltar ao forno mais uns minutos, coberta com pedaços de queijo de cabra.

Ou então pode ser esmagada com um garfo, misturada com um pouco de manteiga, e faz um belíssimo puré.

Mas quem gosta de coco tem mesmo de ir até ao fim e provar a sopa. É rica, cremosa e diferente. O que tenho andado a perder!

Sopa de coco e abóbora

Sopa de coco e abóbora


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Chobanofee Cheesecake

Quando os meus amigos fazem anos, é possível que recebam um bolo como prenda (especialmente se me convidarem para uma festa ou jantar).

Este ano, resolvi criar umas quantas regras para tornar esta história do bolo de anos um bocadinho menos repetitiva e mais interessante. Assim sendo, 1) o aniversariante não tem direito a escolher o bolo, já que será um bolo (ou sobremesa) inventado especialmente para a ocasião, 2) tem direito sim a sugerir até 5 ingredientes, dos quais eu farei por usar o máximo possível e 3) terá direito a baptizar o respectivo bolo / sobremesa. Simples, não é?

Chobanofee Cheesecake

A primeira pessoa a entrar no novo regime foi a minha amiga Susana, que me pediu limão, framboesa, gengibre, sésamo e wasabi. Wasabi?? Isto vai ser um puzzle interessante. Tenho de fazer alguns testes antes de por as mãos na massa. E como já tinha deixado passar o aniversário dela, de qualquer maneira, deixei que a minha cunhada Paula passasse à frente. Menos excêntrica, pediu-me para os anos um bolo com banana, caramelo, chocolate, limão e bolachas. Assim nasceu, a 5 de Dezembro de 2013, o Chobanoffee, um cheesecake com base de bolachas de chocolate, recheio de banana e limão, e topping de toffee caseiro.

Chobanofee Cheesecake

Chobanoffee Chesecake

  • Base
  • 200g de bolacha de chocolate
  • 50g de manteiga
  • 2 c. sopa de açúcar
  • Recheio
  • 100g de banana madura esmagada
  • 200ml natas
  • 400g de queijo creme (tipo Philadelphia)
  • 100g de açúcar
  • 3 0v0s
  • Cobertura
  • 70g de açúcar
  • 50g de manteiga
  • 200ml natas
  • pepitas de chocolate (opcional)

Ligar o forno a 200ºC. Forrar a base de uma forma de fundo amovível com papel vegetal.

Esmigalhar as bolachas dentro de um saco, com a ajuda de um rolo da massa ou de um martelo da carne.

Derreter a manteiga numa taça grande e juntar-lhe a bolacha partida e o açúcar. Misturar bem e deitar para dentro da forma.

Calcar as migalhas com um copo cilíndrico ou com as costas de uma colher, para formar uma base uniforme. Levar ao forno por 10 minutos.

Deixar arrefecer um pouco, mantendo o forno ligado.

Esmagar a banana com um garfo. Juntar-lhe o queijo creme, o açúcar, as natas e os ovos e misturar tudo muito bem, até obter uma massa homogénea.

Verter o preparado para cima da base de bolacha e voltar a colocar no forno, por 15 minutos. Passado esse tempo, baixar a temperatura para 100ºC e deixar cozer por mais 10 minutos.

Desligar o forno, deixando a porta entreaberta, para que o cheesecake arrefeça gradualmente.

Refrigerar por algumas horas, ou de um dia para o outro.

Entretanto, numa frigideira, colocar o açúcar ao lume, e deixar caramelizar sem mexer muito. Quanto começar a ficar dourado, baixar o lume e juntar a manteiga aos poucos, com muito cuidado porque vai espirrar.

Mais uma vez, com muito cuidado por causa das queimaduras, deitar as natas a pouco e pouco, mexendo bem com uma espátula. Deixar a arrefecer.

Desenformar o cheesecake, fazendo correr uma faca a toda a volta para ajudar a soltar o aro da forma. Transferir para um prato e deitar o molho de caramelo por cima, usando uma espátula para alisar.

Decorar a gosto com as pepitas de chocolate.

Chobanofee Cheesecake

Curto Circuito

Ontem fui convidada para ir ao Curto Circuito, na SIC Radical. Cozinhar e conversar ao mesmo tempo não é tão fácil como parece quando estamos do outro lado, mas o ambiente é muito descontraído e, graças à simpatia da Maria Botelho Moniz, a entrevista acabou por correr muito bem. Obrigada a toda a equipa do Curto Circuito.

Para quem não viu, deixo aqui também o link para a minha ida ao 5 para a meia noite de dia 13 de Novembro, na RTP1, onde fui entrevistada pelo Nuno Markl, estive a 1 grau de separação do Damon Albarn, via Pedro Coquenão, e a zero graus de separação (a.k.a. agarrada ao braço de) Camané. Estava entre amigos mas, acima de tudo, não fui eu a cozinhar, o que tornou tudo muito mais fácil. Não para o Markl, claro!

Café Patita na Barata

Foi uma manhã de Sábado diferente na Livraria Barata. Entre os livros e uma exposição dos Urban Sketchers, rodopiaram crepes no ar, que se rechearam com um creme de limão feito em minutos, e se acompanharam com smoothies fresquinhos. Também houve Bolo de Marmelada, Queijadinhas da Avó Isabel e Queridos para provar. Foi a primeira vez que a cozinha do Café Patita saiu à rua, e correu muito bem, sem acidentes graves. Ou seja, não houve crepes colados ao tecto e nada se queimou mas, ainda assim, entornei um smoothie na mesa. O meu próximo livro devia chamar-se “A cozinha de uma desastrada”.

Agradeço à Livraria Barata, uma das minhas livrarias preferidas, aqui tão pertinho de casa, por terem recebido com tanto entusiasmo a nossa cozinha ambulante. Agradeço também à Divina Comédia, e em particular à minha querida editora Paula Caetano, por vestir o avental e estar sempre a meu lado, e ao Miguel Furtado, por organizar tudo e ser o fotógrafo de serviço. E, claro, obrigado a todos os que estiveram presentes!

Na sexta-feira, o Café Patita volta a montar o estaminé. É na Fnac Vasco da Gama, em Lisboa, às 21h30, e desta vez conto com a ajuda da minha amiga Susana Romana para apresentar o livro. Vamos ver quem consegue fazer os crepes rodopiar mais alto. Venham assistir e provar!

Esta é capaz de ser a última sessão de autógrafos/showcooking em Lisboa até ao Natal. As outras datas estão neste post.

Café Patita na Barata

Café Patita na Barata

Café Patita na Barata

Café Patita na Barata

Café Patita na Barata

Café Patita na Barata

Fotos: Miguel Furtado

Lançamento do Café Patita

O lançamento do livro do Café Patita no El Corte Inglés em Lisboa foi um evento que nunca esquecerei. Volto a agradecer a todos os que estiveram presentes nessa noite, e que me fizeram sentir tão acarinhada.

Daqui até ao Natal, vou ter mais algumas oportunidades de apresentar o Café Patita ao mundo. Aqui e ali, vou voltar a encher de farinha algumas livrarias (actividade com o pomposo nome de showcooking), conversar sobre comida, gatafunhar alguns livros e, a minha parte preferida, partilhar gulodices saídas directamente das páginas do livro.

Sábado, 30 de Novembro, 11h30: Livraria Barata, na Av. Roma — Lisboa
Sessão de autógrafos com showcooking e degustação de um mini-brunch [Evento no Facebook]

Domingo, 1 de Dezembro, 12h00: Livraria Apolo 70 Fonte Nova — Lisboa
Sessão de autógrafos  [Evento no Facebook]

Sexta-feira, 6 de Dezembro, 21h30:  Fnac Vasco da Gama — Lisboa
Apresentação de Susana Romana, showcooking e degustação [Evento no Facebook]

Sábado, 7 de Dezembro, 16h30: El Corte Inglés Gaia — Porto
Apresentação de Fernando Alvim, showcooking e degustação [Evento no Facebook]

Sábado, 7 de Dezembro, 19h00: Livraria Arquivo — Leiria
Sessão de autógrafos com showcooking e degustação [Evento no Facebook]

Domingo, 8 de Dezembro, 12h00: Livraria Apolo 70 Riviera — Carcavelos
Sessão de autógrafos [Evento no Facebook]

Sábado, 14 de Dezembro, 17h30: Auditório Dr. Afonso Rodrigues Pereira — Lourinhã
Apresentação de Nuno Sampaio, showcooking e degustação [Evento no Facebook]

Quem queria ter ido ao lançamento (ou quem foi e gostou tanto que quer repetir a dose), eis a oportunidade. Estou à vossa espera para dois dedos de conversa. Até já!

Bolo de Romã e Sementes de Papoila - Café Patita

Confesso que já não sei onde arrumar mais formas de bolos e bolinhos — o armário que destinei a esse fim, por mais que tente, não é infinito. No entanto, ainda não domino a arte de resistir estoicamente quando me cruzo com uma forma de um tamanho ou feitio diferentes dos que tenho em casa. Ontem pequei de novo e trouxe para casa uma pequena forma tipo Bundt.

Para além do preço surpreendentemente baixo, o que me fez  ceder foi o tamanho igualmente reduzido. Dá tanto jeito poder fazer um bolo mais pequeno quando não temos muita companhia. É certo que fazer um bolo de tamanho normal rende mais, dá o mesmo trabalho e gasta a mesma electricidade (ou gás), mas depois ficamos com bolo para um batalhão, e  todos sabemos onde ele acaba. Um bolo pequeno é mais… dietético. (Esta é racionalização que me faz entupir a cozinha com tralha, uma compra de cada vez. Sou incorrigível.)

Bolo de Romã e Sementes de Papoila - Café Patita

Ora, comprada a forma, havia nova desculpa para fazer bolo. Havia também uma romã no cesto das frutas a olhar para mim. O que, como era de esperar, deu origem ao bolo — bolinho, aliás — que aqui apresento. No que toca à romã, o sabor é subtil, mas está presente, Por outro lado, a receita funciona igualmente com sumo de maçã ou de laranja. Impõe-se então a questão: vale a pena a trabalheira de extrair o sumo de uma romã? Chamem-me fútil, mas eu acho que sim, nem que seja pelo fantástico cor-de-rosa da cobertura e pela maravilhosa coroa de bagos rubi. Coisa mai’linda!

Bolo de Romã e Sementes de Papoila - Café Patita


receita

Bolo de Maçã Peganhento

Hoje há bola. Os suspeitos do costume reúnem-se em Campo de Ourique, compram-se uns frangos, bebem-se umas cervejolas, mandam-se uns berros quando a bola for, inevitavelmente, à trave ou ao poste. Assim como cabe a Cristiano Ronaldo a dura tarefa de salvar a honra do convento, cabe-me a mim a de fazer bolo para a sobremesa.

“Faz cheesecake”, pedem-me. Mas cheesecake implica alguma antecedência, e o meu frigorífico está com um grave déficit de queijo Philadélphia. E não há bolachas no armário. Ao que isto chegou!

Bolo de Maçã Peganhento

Há maçãs, porém, e leite condensado cozido, e faz tempo que estes dois ingredientes se andam a namorar, a pedir que os junte numa qualquer invenção. Quando finalmente se encontram numa tigela, o resultado é tão bom que considero seriamente ficar-me por aqui. Sei que um dia destes vou servir tacinhas com cubos de maçã verde envolvidos em doce de leite, e todos vão achar a sobremesa genial. Hoje, no entanto, queria mesmo partilhar aqui uma receita digna desse nome, já que o blogue se queixa de falta de atenção, e tudo por causa do livro. Por isso perco um pouco mais de tempo para fazer uma base, um bolo que sirva de cama fofinha para esta história de amor.

Bolo de Maçã Peganhento

Não vos podia deixar aqui a receita sem confirmar que estamos perante um bolo que vale a pena repetir, tenho de o provar. O bolo segue com uma fatia a menos, claro. E é por pouco que segue de todo. Será assim tão mau ver a bola sozinha?

Bolo de Maçã Peganhento


receita